|
É
ouvir pra crer: The Soul Sessions, a estréia de
Joss Stone pela S-Curve Records pode ser
a melhor música antiga, entusiasmada, de estilo soul sulino
a surgir no século 21: uma afirmação ainda
mais notável quando você considera que Joss Stone é
uma menina de 16 anos vinda da Inglaterra.
The
Soul Sessions anuncia o surgimento de uma nova e jovem artista
com uma rica, vibrante voz e um forte senso de compromisso emocional
com seu material. Neste caso, o material consiste de oito clássicos
do soul, indo da completamente obscura (“Dirty Man”
por Laura Lee, “Super Duper Love”
por Sugar Billy) até a moderadamente familiar
(“All The King’s Horses”, de Aretha
Franklin, e “For The Love Of You”,
dos Isley Brothers); junto com radical versões
de músicas por John Sebastian (“I
Had a Dream”) e Jack White dos White
Stripes (“Fell In Love With a Boy”); esta
trazendo backing instrumental de The Roots, com
vocais de apoio por Angie Stone e a lendária
Betty Wright (mais sobre ela em um momento).
Joss
canta todas essas músicas com ardente paixão e instintivo
bom gosto. Ela não exagera no soul, usando dez notas quando
uma só já está bom, ou emitindo notas falsete
estridentes para simples efeito. Quando você escuta Joss Stone,
você ouve a música que ela canta — e não
o som que ela faz.
Enquanto
nasce uma estrela, outras renascem. The Soul Sessions,
de Joss Stone, faz brilhar um holofote de renovada exposição
sobre um grupo de talentosos mas há muito tempo negligenciados
músicos afro-americanos que estavam entre os principais articuladores
e formadores do “Miami Sound” dos anos 70.
Nesse momento divertido, funky e fugaz da música pop, o soul
caseiro encontrou-se com o disco ascendente dos selos TK,
Alston, Glades e Cat. Os resultados incluíram
hits tão carinhosamente lembrados como “Clean Up
Woman”, de Betty Wright, “Why
Can’t We Live Together”, de Timmy Thomas,
“Let’s Straighten It Out”, de Latimore,
e “Party Down”, de Little Beaver.
Cada um desses artistas teve papel vital na criação
de The Soul Sessions, para o qual seis de dez faixas foram gravadas
ao vivo em um estúdio em Miami em dois dias.
Joss
Stone nasceu em 11 de abril de 1987 em Dover, Inglaterra. Aos 8
anos ela mudou-se para a vila rural de Ashill, no condado de Devon;
ela é a segunda mais nova de quatro filhos. O primeiro álbum
a pegar sua jovem imaginação foi “I Will
Always Love You”, de Whitney Houston,
mas o Greatest Hits de Aretha Franklin foi o primeiro
disco que ela comprou, após ver uma propaganda na televisão.
A primeira performance pública de Joss foi um aviso do que
estava por vir: em um show de variedades na escola com os anos 50
como tema ela cantou “Reete Petite”, o divertido
hit de Jackie Wilson de 1957.
Em
2001, quando Joss tinha 14 anos, ela fez um teste para o programa
de talentos da BBC (televisão) Star for A Night.
“Tudo o que você precisava fazer era mandar uma
carta, não precisa nem de fita, e eles lhe enviariam os detalhes
do teste”, ela explica. “Então quando
eu e minha mãe entramos no estúdio em Londres, havia
uma grande fila — centenas de pessoas tentando fazer parte
do programa. Eu cantei ‘A Natural Woman’, de Aretha,
e ‘It's Not Right But It's Okay’, de Whitney Houston.”
“Descobri
que havia vencido alguns meses depois, quando a equipe de filmagem
apareceu em Devon para me dar a notícia: ‘Parabéns
— você aparecerá no Star for A Night!’
Para a transmissão eu cantei ‘On The Radio’,
de Donna Summer. Não foi minha escolha e não soou
tão bom, mas foi assim que consegui um empresário.
Então cantei em um show beneficente, e quando os Boilerhouse
Boys [produtores londrinos Andy Dean e Ben
Wolfe] viram os vídeos, disseram ‘Steve Greenberg
precisa ouvir isso.’”
Steve
Greenberg é o fundador e presidente da S-Curve
Records. Através dos anos, além de ter descoberto
artistas de sucesso como Hanson (“Mmm
Bop”) e Baha Men (“Who Let
the Dogs Out”), ele expressou seu amor por rhythm &
blues, soul e disco ao produzir históricos sets tais como
o composto por nove discos e indicado ao Grammy The Complete Stax/Volt
Singles (1959-1968) e a coleção de cincos discos “Sugar
Hill Records Story”. Em dezembro de 2001, Greenberg recebeu
um telefonema dos Boilerhouse Boys “dizendo que eles simplesmente
tinham acabado de ouvir a melhor cantora que já haviam escutado
de seu país”. Ele pagou a passagem de Joss para
Nova York para um teste em que ela cantava junto com faixas de fundo
de músicas clássicas do soul: “Dock of the
Bay”, de Otis Redding, “Midnight
Train to Georgia”, de Gladys Knight & the
Pips, e “A Natural Woman”, de Aretha
Franklin.
Steve
ficou impressionado com o que ouviu. “Joss não
tinha apenas uma ótima voz mas também a habilidade
de dar seu próprio toque em material clássico. Ela
não estava apenas imitando — estava mudando e interpretando
as músicas, e fazendo isso com paixão e sentimento.
O nível de nuance era simplesmente estarrecedor para alguém
que tinha então 14 anos de idade.”
A
idéia inicial deles foi fazer um disco de músicas
contemporâneas — com Joss na co-autoria do maior número
possível — e uma das primeiras pessoas contactadas
foi a cantora, compositora e produtora vencedora do Grammy e moradora
de Miami Betty Wright. “Betty não
é apenas uma performer clássica de hits dos anos 70
como ‘Clean Up Woman’”, diz Greenberg. “Ela
é uma força criativa contemporânea que continua
a fazer música vital hoje em dia.”
“Recebi
um CD de dois demos de Joss um dia apenas antes da gente se conhecer”,
lembra-se Betty Wright. “Disse a Steve, ‘Não
sabemos como, não sabemos por que — esse tipo de voz
é simplesmente um presente dos céus.’
“Ao
fazer juntas The Soul Sessions, fui a melhor amiga de Joss e sua
pior inimiga. Com isso quero dizer que fiz com que ela tentasse
coisas com sua voz que ela não poderia nem imaginar antes.
E Joss, por sua vez, lembrou-me de algumas coisas que eu esquecera
— o motivo pelo qual esse tipo de música é importante
para mim e por que eu ainda curto criá-la. Nós apenas
nos conectamos bem.”
Na
primavera de 2003, Joss e seus colaboradores (incluindo Greenberg,
Wright e o co-produtor Mike Mangini) começaram a trabalhar
no álbum. Mas uma de suas primeiras gravações
— um cover da obscura música de Carla Thomas
“I’ve Fallen In Love With You” —
mudou completamente a direção de seus esforços.
Steve
Greenberg: “Um cover de Carla Thomas na realidade não
se encaixava muito bem no álbum que estávamos então
planejando. Mas a performance de Joss da música era fantástica.
Enquanto isso, o talento de Joss evoluía rapidamente. Então
pensamos em aumentar o risco e tê-la gravando ao vivo no estúdio
com uma verdadeira banda r&b, fazendo um set completo de músicas
clássicas e obscuras de soul. Além de completar o
álbum com novo material.”
Steve
sugeriu a Betty que eles reunissem alguns dos músicos-chaves
da Miami dos anos 70, apesar de mais de 20 anos terem se passado
desde que faziam música juntos. “Perguntei a Betty
Wright, ‘Conseguimos Little Beaver na guitarra?’ Ela
disse, ‘Claro — me dê dois dias.’ ‘Conseguimos
Timmy Thomas no órgão?’ Mesma resposta. ‘Conseguimos
Latimore no piano?’ Mesma resposta.
“Não
me toquei de que Betty não via ou falava com algumas dessas
pessoas há uma década ou mais. Mas ela conseguiu chegar
a eles — Little Beaver estava trabalhando para a Amtrak, Timmy
Thomas era um administrador de escola — e os convenceu a reunir
a banda para esse projeto.”
Greenberg
acrescenta: “Há um elemento do Buena Vista Social
Club no Soul Sessions, porque reunimos os músicos clássicos
de um certo cenário musical que já não existe
mais. Através dos anos, há muito atenção
voltada — e corretamente — aos grandes músicos
da Motown, de Memphis, de Nova Orleans. Mas Miami tem sido uma negligenciada
fonte de música clássica soul. Esperamos que o disco
The Soul Sessions permita que esse cenário e seus grandes
músicos recebam o que merecem.”
Na
primavera de 2003, o grupo reuniu-se nos Hit Factory/Criteria Studios
em Miami para o que Betty Wright chama de “uma sessão
de soul ao vivo, como nos velhos tempos”. Steve Greenberg
acrescenta: “Não queríamos um disco de karaokê.
Não queríamos fazer um álbum ‘American
Idol’ de alguém cantando nota-a-nota cópias
de grandes gravações. Queríamos reinventar
cada música.”
“Ao
fazer esse disco, Joss homenageia os que vieram antes dela —
um ritual necessário antes que ela se expanda no léxico
do soul com seu próprio material.”
Animada
com os resultados das sessões em Miami, Joss então
viajou para o norte da Filadélfia, onde a mais aclamada banda
ao vivo de hip-hop de hoje, the Roots, estava satisfeita em apoiar
Joss em uma radical nova versão de “Fell In Love
With A Girl”, dos White Stripes. Joss ainda parece de
alguma forma admirada com a experiência. “Eu estava
realmente cantando ao vivo com a banda — isso foi bastante
assustador! Sabe aquelas histórias que a gente ouve sobre
pessoas que tornaram-se famosas, como elas são realmente
pretensiosas e convencidas? Nenhum desses grandes músicos
era assim. Eles foram todos completamente apoiadores e simples.”
“No
início, ouvir minha voz gravada era a coisa mais estranha.
Mas com a experiência do estúdio, agora acho natural.
Quando estou cantando, não quero pensar muito sobre isso.”
Será
que as fortes luzes do estrelato acenam para nossa alegre, despretensiosa
moça da zona rural da Inglaterra? “Quero apenas
cantar e compor músicas”, diz Joss. “Isso
é o que gosto de fazer e o que realmente sei fazer. Se acontecer…bem,
aí aconteceu. Vou tentar não pensar ‘ómeudeus,
vendi um milhão de discos’, mas simplesmente continuar
a ser a pessoa que gosto de ser.”
|